Democracia – qual é a nossa participação?

Nos últimos tempos, temos visto nos noticiários uma série de movimentos populares reivindicando um governo democrático, em países há muito controlados por sistemas ditatoriais ou autocráticos. Essas mobilizações sinalizam uma crescente valorização da democracia como sistema de governo desejável.

Apesar de um dos primeiros sistemas democráticos do qual temos conhecimento ter se desenvolvido em Atenas, na Grécia, por volta de 500 a.C., e ter durado aproximadamente 200 anos, a democracia como a conhecemos hoje ainda é relativamente recente na história da humanidade. Por milhares de anos as nações foram governadas por reis, mais ou menos absolutistas, e somente nos últimos séculos é que as ideias democráticas começaram a se difundir e a serem aplicadas em alguns países.

Do ponto de vista espiritual, podemos considerar isso como um sinal do avanço mental da humanidade. Denota uma consciência maior do valor que cada indivíduo tem, reconhece o princípio de igualdade e refuta privilégios arbitrários. Uma condição que está mais de acordo com a realidade espiritual, o reino de Deus, conforme nos ensina a Ciência Cristã. No reino de Deus, todos os homens e mulheres são a imagem e semelhança do único Criador e refletem, de forma individual, as qualidades espirituais do Pai-Mãe Deus. A busca de uma democracia cada vez mais aperfeiçoada é a manifestação humana do desejo espiritual e natural que o homem sente de se chegar mais próximo ao governo divino.

Acima de tudo, a democracia é um chamado à participação, chamado esse dirigido a cada um de nós, onde quer que vivamos, qualquer que seja nosso país; e a preservação e o aperfeiçoamento da democracia requer nossa participação. Não me refiro à participação em partidos políticos ou em passeatas de protesto. Menciono a participação que é accessível a todos nós e tremendamente importante para toda a humanidade.

Participação pela oração

Na Ciência Cristã, orar é pensar em sintonia com a Mente divina. Não se trata de pedir a Deus que faça algo ou que intervenha em assuntos humanos. Pensar em sintonia com essa Mente é reconhecer, afirmar e manter na consciência a realidade criada por Deus, totalmente espiritual e completamente boa. Podemos reconhecer e sustentar em nosso pensamento que as pessoas, nos diversos cargos governamentais, são ideias perfeitas e completas da Mente única; o efeito do Princípio invariável; amadas pelo Amor infinito e, portanto, desempenham suas funções com amor; são a manifestação da Verdade (outro sinônimo de Deus) e, portanto, a verdade é parte intrínseca de seu ser. Essa forma de pensar é oração.

A oração científica contraria, sistematicamente, toda evidência negativa que os sentidos materiais mostram. A tendência humana é a de analisar, discutir, criticar e condenar tudo o que há de negativo e falho no governo. Essas atitudes podem até ter seu lugar e hora, mas como se trata de uma participação humana são, portanto, sujeitas a equívocos e resultados incertos. Mas a participação pela oração metafísica é muito mais eficaz.

Em Ciência e Saúde, Mary Baker Eddy escreveu: “As capacidades humanas ampliam-se e aperfeiçoam-se na proporção em que a humanidade consegue o verdadeiro conceito acerca do homem e de Deus. Os mortais têm noção muito imperfeita do homem espiritual e do alcance infinito do pensamento desse homem” (p. 258). A oração metafísica, o pensamento que se fundamenta no “verdadeiro conceito acerca do homem e de Deus”, tem um alcance infinito, não se limita à nossa cidade, estado ou país, mas beneficia toda a humanidade. Pode inclusive, ajudar os povos em nações que ainda não têm um sistema democrático de governo.

Participação por meio de nossa integridad

Ouve-se falar muito de falta de integridade em diversas esferas do governo. Nosso papel na solução desse problema consiste em colocar mais integridade no cenário nacional, por meio de nossa própria vida e de nossa própria atuação. A integridade baseada na consciência de nossa verdadeira identidade e da verdadeira identidade de nosso próximo é uma força purificadora da atmosfera mental do mundo.

Poderíamos dizer que ser íntegro é permanecer fiel à nossa natureza divina original de filho de Deus. Porventura estaria de acordo com essa natureza divina levar pequenos objetos de empresas onde trabalhamos, como clipes, envelopes, canetas? Comprar produtos piratas ou falsificados porque são mais baratos? Colocar o próprio nome em trabalho que não fez? Colocar na lista de presença o nome do colega que faltou? Pagar para alguém fazer nossos trabalhos acadêmicos? A lista das simples corrupções poderia ser longa. Essas ações são como pequenas oportunidades que levam a pequenas corrupções, e não são muito diferentes das grandes oportunidades levam a grandes corrupções. A verdade, a honestidade e a integridade estão igualmente ausentes em ambos os casos. e Deus é o bem. Verdade é um sinônimo para Deus. Quando abrimos mão da Verdade, abrimos mão do bem verdadeiro.

Para trazer o bem real para nós e para o mundo precisamos prestar atenção à nossa forma de pensar, conforme Ciência e Saúde destaca: “Em um mundo de pecado e de sensualidade, que se precipita para um maior desenvolvimento de poder, é prudente considerar a sério se é a mente humana ou a Mente divina que nos está influenciando” (p. 82).

Uma definição de democracia diz que ela é a forma de governo na qual o povo exerce a soberania. Que espécie de soberania estamos exercendo? Estamos sendo influenciados pela Mente divina ou pela mente humana? Estamos pensando apenas nos nossos próprios interesses em detrimento dos demais? Não é justamente isso que corrompe um governo democrático?

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! ... Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre” (Salmos 133:1, 3), declara a Bíblia. Só é realmente bom aquilo que é bom para todos. Quando nos conscientizamos disso, deixamos de separar nossos interesses dos interesses de toda a humanidade e passamos a ver todos como irmãos, então procuramos colocar em prática esse princípio no nosso dia a dia. Dessa forma, exercemos a soberania plena e participamos realmente da democracia. Aí, nossa participação terá poder espiritual.

Alessandra é Praticista, Conferencista e Professora de Ciência Cristã. Ela mora e leciona em São Paulo, SP.